7 artistas LGBTQ'S do rap nacional que você precisa escutar!

2018, um ano em que várias palavras podem definir o rap nacional, eu resolvi escolher a palavra representatividade pois em meio a trancos e barrancos uma luz arco-iris surgiu no rap nacional trazendo consigo uma onda de artistas que trouxeram uma nova perspectiva ao rap nacional e nos fez lembrar do passado, onde o hip-hop surgiu para que minorias pudessem se sentirem abraçadas dentro de uma cultura, o que antes era algo que se resumia a um ou dois artistas undergrounds hoje é quase um movimento dentro do próprio Hip-hop onde artistas novos como Rico Dalassam, Linn da Quebrada e Clara Lima trazem um verdadeiro farol para que mais pessoas possam usar do rap como forma de militância contra a homofobia e a transfobia.



Amém Rico Dalassam!


Pensando no quesito representatividade eu resolvi elaborar uma lista de artistas que levantam sua bandeira diariamente no cenário nacional, com o principal propósito de não só abrir a mente dos fãs de rap para que deixem o preconceito de lado e escutem um bom rap como para que pessoas que sejam LGBT possam conhecer artistas que os representem e que por meio deles possam conhecer mais do rap nacional, adianto que isso não é um top 7 nem nada, a ordem é meramente figurativa.



1- Monna Brutal - 9/11



Monna rainha, resto nadinha!

Nossa lista começa com a dona de um dos flows mais agressivos da atualidade, Monna que é cria da ZN de SP e lançou sua primeira musica com apenas 10 anos e hoje com 21 anos é uma das maiores representatividades trans do rap nacional, com sua lirica ácida e levada forte Monna ganhou bastante destaque após participações nos cyphers "PSICOPRETAS VOL 2" e "Homenagem de Março", suas linhas geraram uma expectativa muito forte pro seu disco de estreia que veio com dois pés na porta.



9/11 é o álbum de lançamento da Monna Brutal, nessa sua nova fase da carreira, que veio para trazer um enigma, gerar questionamentos. São músicas que falam sobre a força da transfeminilidade, a luta das bichas afeminadas. Exalta a força ancestral de Satã, a qual as bichas-trans-pretas, como escória dessa sociedade, são lançadas para marginalidade, para a obscuridade e precariedade da vida. Monna encarna a voz das oprimidas pelo sistema patriarcal de gênero, evocando o poder das derrotadas e transformando cada lágrima em gasolina, para mandar versos incendiados de conteúdo que desvendam o sistema opressor contra corpos marginais, colocando vergonha e cobrando vingança por todo sangue derramado. Resistência é a palavra que define esse disco.




2- ISSA PAZ - A ARTE DA REFUTAÇÃO





Issa Paz, pra quem acompanha o rap a um bom tempo esse nome deve soar familiar, se engana quem acha que o Rap Plus Size foi seu primeiro trabalho no rap, com 12 anos Issa iniciou sua carreira gravando singles de maneira caseira e independente, publicando seus sons na internet. Aos 14 anos, ingressou no grupo Rimologia (do qual fez parte até Abril de 2015) e ganhou destaque pelas batalhas de MC da cidade, ganhando sua primeira disputa com apenas 1 rima.


Seu disco de estreia é chamado A Arte da Refutação lançado em 2015 é um verdadeiro recado aos machistas que nada mais vai passar batido, com participações de Sara Donato, Taz Mureb, Dory de Oliveira e Iuri Stocco, esse disco marca uma fase muito importante da carreira de Issa que munida de excelentes beats mostrou pra todo mundo pra quê veio.





Em 2016 ao lado de sua amiga Sara Donato formaram o Rap Plus Size, um grupo que além da temática que gira em torno do movimento Body Positive tem em sua musicalidade uma forte inspiração feminista além de criticas pesadas ao machismo, homofobia e racismo dentro e fora do rap nacional. Esse disco além de uma mensagem forte marca também a vida pessoal de Issa que um pouco tempo depois do disco passou a se identificar como gênero fluido não binaria.





3- RAPHAEL WARLOCK - VERSOS ONÍRICOS DO ONTEM / VILÃO ORFÃO DE VILANIA




Raphael Warlock, um jovem MC gay de Florianópolis, é estreante na cena como artista solo, o rapper é conhecido por sua agressividade e acidez nas letras ,dono de um flow bastante versátil e de músicas voltadas à militância LGBTQ+, têm como destaque faixas como "Gene X", onde usa o universo dos X-Men como alegoria à homofobia, "Metflix", sexsong inteiramente LGBTQ+ com participação de Allure Dayo e Rodrigo Zin, e "Bixa Preta", que acabou ganhando uma versão remix no segundo álbum.





Em 2018 Warlock realmente não estava de brincadeira e dropou 2 discos excelentes que são repletos de liricismo e musicalidade que colocaram ele como uma das maiores apostas do rap nacional para 2019, se você quer explorar uma jóia rara do underground nacional, eu indico pra vocês Versos Oníricos do Ontem e Vilão orfão de Vilania.







4- GLORIA GROOVE - O PROCEDER



GLORIA GROOOVEEEEEE (é impossível não se viciar nesse adlib)

Daniel Garcia é o nome que deu luz a maravilhosa Gloria Groove(GLORIA GROOOOVEEEE), drag queen e cantora nascida e criada na cidade de São Paulo. Em seu primeiro álbum de estúdio traz temáticas que retratam sua luta como cidadã LGBTQ+ e drag queen que sempre viveu em bairros mais periféricos da capital paulista. Com sonoridade predominantemente fundamentada em hip hop e trap music, suas letras carregam críticas sociais e políticas, além de emponderamento e autoestima.




Seu primeiro álbum intitulado O Proceder lançado em fevereiro de 2017, contém oito faixas que passeiam entre o rap sobre a realidade do público LGBT, como na faixa “Império”, passando pelo pop "farofa" de “Muleke Brasileiro” e outras musicalidades que tornam "O Proceder" uma verdadeira aula de versatilidade musical, um disco que consegue agradar tanto o fã de hip-hop que não é familiarizado com a música pop como o fã de pop que acabou de cair de paraquedas no rap nacional.





5- ENRIQVX - USUAL




Membro do coletivo HFF, o trapper Ricardo Enrique ou Enriqvx como prefere ser chamado é morador do bairro da Mooca e é um dos nomes mais quentes da cena underground de SP, sendo nome comum na maioria das festas que embalam a Morpheus, desde criança Enrique foi vitima de bastante racismo e homofobia no bairro, isso se devia principalmente ao fato de ter muitos trejeitos vistos como femininos aonde a repressão seguiu durante a infância e adolescência, bissexual assumido foi na arte onde Enriqvx pode se sentir livre pra expressar sua "rebeldia" e seus sentimentos sem medo de ser julgado e isso ficou bastante claro em USUAL seu EP de estreia.




Usual é um disco experimental que vai do Lo-Fi ao Funk, tudo isso com uma musicalidade que em todos os momentos flerta com o trap, estilo que Enriqvx demonstra bastante versatilidade e apreço, o álbum é carrega consigo a essência do jovem negro perdido em meio ao caos e falta de amor que a cidade cinza traz, além da produção impecável e das rimas extremamente sinceras do jovem Enriqvx o disco também conta com Rafael Rodrigues na parte de fotografia que deram ao EP de estreia do jovem da Mooca um verdadeiro clima...Usual.



6- QUEBRADA QUEER - SER (Sobre existir & resistir)






Murillo Zyess, Guigo, Harlley, Lucas Boombeat, Tchelo Gomez e Apuke são os nomes que encabeçam um dos projetos mais comentados e surpreendentes de 2018, Quebrada Queer começou como uma cypher lançada no RapBox mas o sucesso e repercussão do som foi tão grande que uma semana após o lançamento eles já tinham convites para shows, o som de estreia também repercutiu de uma maneira que todos tiveram que abandonar seus trabalhos antigos para se dedicar a produção de um EP, nascia então Quebrada Queer, o grupo!




O EP intitulado SER contém 5 músicas que seguem temáticas e estilos diversos mas todas com o trap como base e contém participações de Glória Groove e Hiran, o coletivo mostrou que não estava brincando e produziu um clipe pra cada faixa do EP criando um verdadeiro álbum visual com muita minuciosidade e sutileza em cada detalhe, um grupo relativamente novo mas que caminha a passos largos no rap nacional, Quebrada Queer com certeza foi uma das melhores surpresas que o Rap Nacional nos proporcionou em 2018.





7- PACHA ANA - OMO OYÁ




Canta, faz freestyle e ainda recita uns verso foda, com vocês PACHA ANA!


Aqui o texto vai perder um pouco do caráter técnico pois esse foi um dos 3 discos que eu mais escutei em 2018, aqui quem vos fala é um verdadeiro fã real da Pacha Ana que pra mim foi a melhor estreia de um artista em anos, o disco é o primeiro álbum de RAP feminino (odeio esse termo) feito no estado do Mato Grosso, Ana que é preta, bissexual e dona de um vozeirão é um dos principais nomes da cena do seu estado aonde ela se destacou não só como rapper mas como MC de batalha e recentemente foi finalista do SLAM BR com versos afiadíssimos.




OMO OYÁ que no Yorubá significa "Filha de Iansã" possui uma carga de representatividade muito forte aonde Pacha mostra toda sua fé e ancestralidade com uma musicalidade que vai do boom bap raiz ao samba de terreiro, onde ela relatava sua vivência de mulher negra e as dificuldades que enfrentou desde a infância até os dias de hoje na cena do rap nacional, a musicalidade é o ponto forte onde a Pacha brinca de um vocal melódico suave a um flow que consegue ser agressivo e calmo ao mesmo tempo



Obrigado Pacha Ana, por todo o sentimento e sinceridade colocado em seu disco.


Certamente esse é um disco que eu gostaria de que cada "critica especializada" escutasse antes de elaborar listas que na maioria das vezes premiam mais alegoria que essência,sério gente esse disco transpira Axé, destaco também o trabalho da produtora Emily Almeida que além de acreditar no trabalho da Ana faz questão de mostrar que é a fã número um dessa artista tão versátil que conseguiu me emocionar bastante ao lembrar de tardes em terreiro com minha mãe.







E assim finaliza a primeira parte dessa lista que tive muito prazer em compartilhar com todos vocês, quero indicações de vocês pra poder fazer a parte 2!

2020 © PE SQUAD

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