OBRIGADO, HIP HOP!


Em 12 de Novembro de 1973 Afrika Bambataa funda a Zulu Nation, uma organização que tem como objetivo a auto-afirmação através do combate de suas quatro vertentes sobre o grito de “Paz, união e diversão”. Esse dia seria marcado como o dia do nascimento da cultura Hip-Hop e todo ano é celebrado em todos os países do mundo aonde a cultura existe.



Nessa época então varias batalhas foram travadas para que o Hip-Hop sobrevivesse e contemplasse cada vez mais pessoas e seus grupos sociais, movimentos como os Panteras Negras tiveram sua ideologia passada por grupos de rap como o Public Enemy, gangues rivais assinaram tratados de paz em prol de uma luta guiada por essa cultura, mulheres como Lauryn Hill e Queen Latifah ajudaram a combater o machismo e deram voz a varias outras mulheres da época, o Hip-Hop teve sua era dourada aonde o gueto finalmente conseguiu mandar seus representantes para o mundo e uma legião de Mc`s, B-boys,B-Girls, Mc`s e Dj`s conseguiram por meio da sua cultura conseguir mudar sua realidade e fazer historia.


Hoje estamos celebrando 45 anos do Hip-Hop! O Rap no Brasil é um dos estilos musicais mais escutados, cada vez mais as batalhas de rima estão entre os videos mais vistos do Youtube, Dj`s estão presentes nos principais circuitos, inclusive um DJ brasileiro entre os melhores do mundo, grafiteiros e grafiteiras estão levando nossa arte para outros horizontes, cada vez mais o Hip-Hop esta nas escolas, universidades e locais antes considerados inalcançáveis agora fazem parte do nosso campo de atuação.


Luiz Lins em Recife

2018 no Brasil ficou marcado como um ano em que o retrocesso social mostrou sua forma na politica e no comportamento da população frente a tantas ameaças. 2018 ficou marcado por muita violência e intolerância em alguns âmbitos, mas o Hip-Hop na contramão disso tudo mostrou porque esta 45 anos lutando contra a intolerância. Esse ano tivemos artistas LGBTQs usando do Rap no combate a Homofobia e Transfobia, nesse ano o cuidado da saúde mental das pessoas foi colocado como pauta, nesse ano as mulheres chegaram com os 2 pés nos Slams e mostraram a força da poesia Marginal no combate ao machismo, um dos refrões mais cantados tem como sua principal mensagem: Fogo nos Racistas! 2018 foi o ano da revolução , foi o ano que o Hip-Hop no Brasil mostrou que tá pronto pro que esta por vir.



O ano que vem não será fácil, a tragédia anunciada preocupa todos os elementos. O boicote a educação será imenso e a censura será forte, o ódio as minorias criou uma aura de medo em que pessoas se sentem aprisionadas pelo preconceito, as periferias estão apreensivas após declarações absurdas que exaltam a violência policial e o racismo institucional, tudo parece sombrio e perigoso, mas o Hip-Hop resistira! Em cada grafiteira que sai na madrugada para protestar nos muros e deixar sua marca no mundo, em cada b-boy ou b-girl no sinal de transito que usa da sua arte para garantir o próprio sustento, pra cada DJ que resiste e mesmo com o advento da tecnologia não abre mão de colecionar seus discos de vinil recheados de clássicos, em cada Mc de batalha que faz freestyle no transporte publico pra ganhar sua vida, em cada professor que usa o Hip-Hop pra educar a próxima geração de pensadores do Brasil, essas pessoas serão cruciais para que nesse mesmo dia ano que vem estaremos rindo e comemorando mais um ano dessa cultura que mudou a vida deste que vos fala e de todos que compõem a PE SQUAD, é com lagrimas no rosto que daremos as mãos e diremos novamente : OBRIGADO HIP-HOP.



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